Resumo
Analisam-se o panorama tecnológico da perícia criminal brasileira, suas principais lacunas estruturais e as contribuições da Inteligência Artificial (IA) para a modernização da área. A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica narrativa, de caráter exploratório e descritivo, com análise de aproximadamente cinquenta fontes obtidas nas bases Google Scholar, SciELO e Portal de Periódicos CAPES, publicadas entre 2012 e 2025. Foram examinados estudos relacionados à aplicação de aprendizado de máquina, redes adversariais generativas (GANs), modelos de difusão, geração aumentada por recuperação (RAG), agentes de IA, modelos de linguagem de pequeno porte (SLMs) e IA multimodal no contexto forense. Os resultados demonstram que países como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha já empregam soluções baseadas em IA em atividades como reconhecimento biométrico, análise de DNA e reconstrução tridimensional de cenas, enquanto o Brasil ainda apresenta baixo nível de adoção dessas tecnologias. Também foram identificadas limitações técnicas, financeiras, formativas e normativas que dificultam sua implementação nos institutos de criminalística. Conclui-se que a adoção de um ecossistema de IA soberano, fundamentado em modelos executados localmente e compatível com os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados e da cadeia de custódia digital, pode contribuir para a transformação da perícia criminal em um modelo mais eficiente, padronizado, auditável e orientado por dados, ampliando a capacidade analítica dos profissionais sem substituir sua responsabilidade técnica.

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Copyright (c) 2026 Giovanna Victória Souza Venier, Rafael Souza dos Santos, Isabel Cristine de Souza Soares, Rafael de Sá Mascarenhas
